/

A história do Armazém do Grão: como uma panificação de bairro conquistou uma cidade

De um comércio modesto no Bairro Castrioto a uma rede de quase 10 lojas em Petrópolis

Comece a ler

Em 1956 chegava a Petrópolis o produtor rural José Silvério Corrêa. Natural de Sardoal, foi na Rua Dr. Paulo Hervê que o sul-paraibano se aventurou no comércio com a venda de querosene, banana e destilados. 57 anos depois, seu neto, Antoane Hang Corrêa, inaugura na mesma via a quinta loja da rede de supermercados Armazém do Grão: empresa que tem no respeito por sua história e por todos aqueles que a compõe o maior e principal alimento.

Se em meados dos anos 50 os principais atendidos pelo senhor José eram os trabalhadores que atuavam na construção da BR-040, mais de meio século mais tarde pode-se dizer que é a família Corrêa quem atua na construção de caminhos capazes de disseminar e semear uma filosofia de crescimento com base na dedicação, respeito, honestidade e união por um mesmo propósito.

Escrita a várias mãos, a história da família teve início com o patriarca no Bingen e, desde então, ganha novos capítulos a cada dia. Onde o gosto pelo comércio corre pelas veias, os Corrêa já tiveram açougue, mercearia e panificação. E foi justamente nessa última, a Panificação Castrioto, localizada no bairro de mesmo nome, que Antoane teve o primeiro contato com o segmento que viria a se tornar seu propósito de vida.

“Meu pai, Antônio, inaugurou a padaria junto de dois irmãos, o Heitor e o Oswaldo. Eles acreditavam que para prosperar o negócio tinha que ser sempre familiar, então trabalhavam lá minha mãe, minhas tias e eu, já com sete anos de idade”.

Foto: Alexandre Carius

Emoldurado no atual escritório, o jaleco que usava quando criança é lembrete diário de suas raízes e do esforço depositado num sonho que, pouco a pouco, ganha ainda mais adeptos e colaboradores.

Onde, quando pequeno, sua missão era recolher os copos deixados no balcão da lanchonete da panificação, limpá-lo e vender balas e chicletes, hoje o propósito de Antoane é outro, ainda que o mesmo no que diz respeito à importância da manutenção. “O que me move é a minha missão. O propósito de deixar um legado. O Armazém vem escrevendo uma história e minha missão é manter essa história”. 

Funcionário de carteira assinada aos 14, gerente aos 16, sócio aos 18 e proprietário aos 20, foi no começo dos anos 2000 que Antoane transformou a panificação em Supermercado Castrioto. A oferta de mercadorias cresceu, assim como o espaço, quadro de funcionários e o número de entregas mensais, que na época chegavam a mil. Pouco tempo depois, o bairro começava a ficar pequeno para o sonho cuja proposta era digna de virar marca.

Foto: Arquivo pessoal família Corrêa

“O grão veio porque somos apaixonados pelo alimento; é a semeadura, o plantar, o colher. Em 2008 inauguramos o primeiro Armazém do Grão, na Porciúncula. Foi quando começamos a competir com as grandes marcas”. Regido pela busca constante pela entrega do melhor serviço e experiência de compra, o Armazém tem como um de seus valores a integridade e a preservação da confiança nos relacionamentos.

Na imagem, a primeira filial do Armazém. Foto: Divulgação

É o que comprova o envolvimento de Luciana Gall de Souza Corrêa, de 38 anos, na empresa. Esposa de Antoane, Luciana é psicóloga com formação em gestão de pessoas e também quem, desde 2006, atua na humanização da empresa – apesar de seu envolvimento com o negócio ser de longa data. Namorados aos 14, era na panificação que Luciana passava os dias e ajudava a família de Antoane na rotina de trabalho diária.

“Quando começamos a namorar ele já trabalhava com o pai, então eu ia trabalhar junto dele. Trabalhei no caixa e depois passei a fazer a consolidação do cartão de crédito”. Com a criação da marca Armazém do Grão, Luciana assumiu o RH da empresa e foi a responsável por recrutar todos os funcionários das lojas do Centro, Bonsucesso e Valparaíso. Para ela, estar próximo da equipe é imprescindível na criação da empatia.

Na imagem, o diretor-presidente Antoane Hang Corrêa, ao lado da esposa, incentivadora e diretora de Marketing do grupo, Luciana Gall. Fotos: Divulgação – Alexandre Carius

“Muitos deles eu conheço por nome. Sei com quem são casados, se têm filhos ou se passam por alguma necessidade. Nosso tema de serviço é criar a felicidade. Seja pro companheiro que trabalha ao lado, para o cliente ou o fornecedor”. Prova disso é a trajetória da gerente da loja do Valparaíso, Raquel Ferrari Luccas, de 34 anos. Graças à família Corrêa, ela explica que há 20 anos a felicidade faz parte de seu dia a dia.

Funcionária da família desde a época do Bairro Castrioto, foi empregada aos 14 para atuar no balcão da padaria. Assumiu o posto de caixa e, no Centro, se tornou líder de frente de loja. Hoje gerente, ela se mostra extremamente grata às oportunidades concedidas e, principalmente, à confiança nela depositada, que afirma não ser capaz de se enxergar trabalhando em outro lugar.

“Eu entrei sem experiência e eles acreditaram em mim. Fui criada no Bairro Castrioto, então eu conhecia a família. Era um mercadinho de bairro. Todo mundo conhecia e frequentava e até hoje o Antoane preza muito pelas pessoas. Ele faz questão de cumprimentar os colaboradores e é sempre muito educado”. É o que também comprova a gerente de RH Adriana Guarnieri, de 40 anos.

Funcionária do grupo desde 2012, Adriana foi contratada como analista, se tornou coordenadora de RH e hoje atua como gerente. Com orgulho, ela relembra o processo de contratação de todos os funcionários que inauguraram a loja do Bingen e a integração com quem faz a empresa acontecer. Semanalmente, às sextas, ela percorre todas as lojas e promove a aproximação com a equipe.

“Não faço mais o processo seletivo, mas estou sempre na integração. Busco saber o nome de cada um. É uma característica que vem do Antoane e quando vem de cima a gente consegue disseminar”. Tendo implementado em 2019 um Programa de Excelência, o Proex, e uma Universidade Corporativa, a UniGrão, o Armazém tem se proposto a ser uma empresa que certifica e que deixa um legado seja para quem vai ficar ou alçar outros voos.

Os cursos – que vão desde açougue, padaria, frente de loja a mercearia e departamento financeiro, por exemplo – foram estruturados pelos próprios funcionários e acontecem de maneira online em plataforma própria. E o treinamento continua também no presencial. Onde cada novo funcionário tem um orientador no ambiente de trabalho, a ideia é aperfeiçoar a equipe, aumentar seu comprometimento e as chances de crescimento.

Hoje com nove lojas presenciais e uma de e-commerce, o Armazém do Grão já conta com mais de 700 funcionários diretos que caminham em direção à mesma missão de serem sempre a melhor escolha. Para se ter uma ideia, a empresa já trabalha com produtos importados de 70 estados do mundo, e quem acompanha toda essa movimentação de perto é o colaborador Silvio Cesar Bazilio, de 56 anos.

Funcionário de confiança e, sobretudo, amigo, Silvio foi o primeiro gestor do Centro de Distribuição do Armazém. Fascinado pela empresa e pelos valores que cultiva, ele recorda sua contratação – ainda pelas mãos de Luciana, e sobre a emoção que foi ver o quadro de funcionários multiplicar de 20 para 700 e acompanhar o número de lojas crescer junto de toda a estrutura de apoio.

“Recebemos 50 caminhões de fornecedores a semana toda e, diariamente, temos quatro caminhões que usamos para abastecer todas as lojas todos os dias, tanto com carga fria, quanto com carga seca. A família Armazém do Grão me enche de orgulho. Ela leva alimento para a mesa dos petropolitanos. Estou sempre torcendo para que o Antoane e a empresa decolem”.

Antoane ainda na época das atividades no Bairro Castrioto. Fotos: Arquivo pessoal família Corrêa

Com a aquisição, no final de 2020, da antiga sede da Dentsply, o Armazém do Grão transferiu, no começo deste ano, seu centro corporativo e de distribuição para o prédio. “O quão bonito é a gente ver a compra do nosso próprio CD? Essas coisas só acontecem quando chega a hora. Depois de oito lojas viemos a ter essa conquista aí. É o tipo de coisa que vem para somar com as famílias que vivem desse trabalho, dessa corporação”, diz.

Mais um grande passo para a empresa de raízes petropolitanas, o Armazém do Grão é prova de que é no solo que estão os nutrientes necessários para o crescimento e que, uma vez firmado, o resultado só pode ser um: o de cultivar e semear num terreno fértil para as gerações que estão por vir.

(Reportagem produzida para a revista de aniversário da cidade emitida pelo jornal Tribuna de Petrópolis em 16/03/2021)

Carolina Freitas

Jornalista e escritora, Carolina Freitas se dedica ao resgate e à valorização da memória petropolitana a partir da produção de reportagens e curtas-metragens sobre a história, o comércio, e a vida da cidade.

1 Comment

  1. Sou cliente da loja do Bingen desde a inauguração e também da loja da Dr. Porciúncula, também recebo as promoções todos os dias.

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.