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Ex-canarinho relembra emoção do dia em que foi convidado a almoçar com o Papa Paulo VI

Além de um fraterno abraço e aperto de mãos, houve também uma especial troca de presentes entre os dois

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Foi através da música que o petropolitano Ricardo Luis Rodrigues, de 59 anos, viveu alguns dos momentos mais especiais de sua história, sendo o principal deles, talvez, o convite de almoçar com o Papa Paulo VI. O evento aconteceu como parte do Congresso Internacional de Meninos Cantores, em Roma, entre os dias 28 de dezembro de 1974 e primeiro de janeiro de 1975. Representante da América do Sul, Ricardo relembra com clareza os detalhes que fizeram daquele dia uma joia que permanece viva em sua memória.

Foto: Arquivo pessoal Ricardo Luis Rodrigues

Cinco continentes representados por cinco rapazes. Ricardo Rodrigues, da América do Sul; Gil Marechal, da Europa; Francisco Morales, da América do Norte; Umberto Lo Branco, da Ásia, e Armando Moogin, da África. Foi esse o time de meninos selecionados para dividir uma refeição com o Papa e emoções até então não vividas uns com os outros. De acordo com Ricardo, a notícia do almoço foi dada pelo Frei José Luiz Prim com o coral já a caminho da Basílica de São Pedro, naquela que foi a primeira viagem internacional do Coral dos Canarinhos.

“O Frei foi até a parte dos fundos do ônibus, onde ficavam os meninos cantores, e nos contou que um de nós estaria representando o coral e o continente da América do Sul num almoço com o Papa. Imediatamente o grupo foi tomado por um alvoroço e os companheiros gritaram meu nome! Foi uma coisa muito espontânea. Haviam outros nomes que estavam sendo analisados, mas aquilo pesou. Eu era um dos mais antigos, tinha um bom comportamento e era envolvido como um todo nas questões que envolviam o coral e os meninos”, conta.

Foto: Arquivo pessoal Ricardo Luis Rodrigues

Motivo de muita alegria e responsabilidade, o convite lhe rendeu aquele que, na época, foi o dia mais feliz de sua vida. As emoções foram várias e começaram antes mesmo do encontro propriamente dito já que, dentro da Basílica, o petropolitano teve seu nome chamado pelo alto-falante do templo. “Foi bem inusitado. Eles chamaram: Senhor Ricardo Rodrigues, do Brasil, o Papa o aguarda”, diz. Recepcionado pelo Monsenhor Roucairol, então presidente da Associação Internacional de Meninos Cantores, começava ali o “espetacular encontro”.

Intermediadas por um tradutor, as respostas em italiano do Papa eram, imediatamente, recebidas com um sorriso pelos meninos. Houve aperto de mãos e abraços entre eles, além da especial troca de presentes. No caso de Ricardo, foram entregues pessoalmente ao Papa uma réplica do Obelisco de Petrópolis – coração da cidade, discos com músicas gravadas pelos Canarinhos e cartões-postais do grupo junto a pontos turísticos do município, como a Catedral São Pedro de Alcântara, o Quitandinha e o Museu Imperial.

“Em troca, recebi como presente, diretamente das mãos do Papa, um relógio e uma medalha: os dois cunhados com o brasão do Papa Paulo VI. Em seguida, fomos todos juntos conhecer algumas dependências internas e vimos a sala em que o Papa faz a aparição dominical e regular em frente à Praça da Basílica de São Pedro, salas de reuniões com pinturas muito bonitas e, então, fomos para a parte externa, nos passadiços externos, longos e largos, de onde podíamos ver, de vários ângulos, as paisagens lindas do Vaticano e os fiéis reunidos”, diz.

Fotos: Arquivo pessoal Ricardo Luis Rodrigues

Intactos, os itens com que foi presenteado se assemelham às lembranças daquele dia: vivo em sua memória e na de quem o conhece. Afinal, ainda que passados 46 anos, o episódio continua a ser recordado pela família e amigos. Na época sem outro meio de comunicação a não ser as cartas, Ricardo explica que o coral passou 3 meses em viagem. O grupo percorreu a Alemanha numa série de concertos e, em seguida, se dirigiu à Itália, onde participou do Congresso Internacional de Meninos Cantores.

“Minha família sempre foi muito católica, então a alegria foi muito grande. Até hoje quando a família se reúne fala alguma coisa. Entre os amigos também. Eles me apresentam como aquele amigo que almoçou com o Papa”. Recepcionados pelas respectivas famílias, Ricardo explica que, depois de quase cem dias na estrada, os coralistas, que haviam embarcado na viagem no dia 4 de dezembro de 1974, regressaram para casa em 23 de fevereiro de 1975 com vivências e muitas histórias para contar.

Foto: Arquivo IMCP

O relógio, até hoje, não foi usado, mas é joia que, só de olhar, é capaz de transportar Ricardo para o passado. Integrante dos Canarinhos por 12 anos, o petropolitano fala sobre a importância desempenhada pela instituição em sua formação.

“Além da parte musical, você cria amizade, respeito, responsabilidade. É como se os Canarinhos fossem um brasão que fica gravado no peito, no coração. É um orgulho. E é aquela coisa: fui à Roma e vi o Papa”, ri o ex-Canarinho que almoçou com o Papa.

Carolina Freitas

Jornalista e escritora, Carolina Freitas se dedica ao resgate e à valorização da memória petropolitana a partir da produção de reportagens e curtas-metragens sobre a história, o comércio, e a vida da cidade.

10 Comments

  1. Despede o início percebi a ausência de limites para seu talento. Fico encantada de acompanhar esse crescimento.
    Foi emocionada que vi seu novo trabalho e envio de cota
    Coração votos de muito sucesso encestarei daqui
    Acompanhado.
    Forte abraço menina guerreira.
    Considere-me uma amiga
    Vera Delgado

    • Ahh Vera! Não sabe como fiquei feliz com o seu comentário! Tenho muito orgulho em ter você na minha trajetória há tanto tempo! Desde as primeiras reportagens você já estava lá para me apoiar. Muito obrigada pelo carinho e por acreditar tanto em mim!

  2. Brava! Bom relembrar algo täo especial acontecido! Como ex- canarinho, só tenho lembranças maravilhosas desse meu tempo vivido. Tudo de bom para o Ricardo. Um abraço, Otávio.

    • Oi Otávio! Ahh que bacana saber que você também foi canarinho! Gosto muito dessa passagem porque ela se mostrou marcante para os meninos cantores e para a cidade! Motivo de muito orgulho para Petrópolis!

  3. Não sabia – ou não me lembrava – dessa história tão bonita para a nossa Petrópolis.
    Ssudades de frei Jose Luiz.

    • Oi José Roberto! A história é mesmo linda! Foi muito emocionante resgatá-la depois de tanto tempo adormecida!

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