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Relembre a trajetória de sucesso do Instituto Carlos Alberto Werneck

Fundado em 1936 pelo professor Carlos Alberto Werneck, o colégio teve início, na verdade, numa modesta sala onde é hoje o Edifício Arabella

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Sujeitos a cantar o hino nacional, o de Petrópolis e o do colégio, passados 15 anos desde o encerramento das atividades do Instituto Carlos Alberto Werneck, são as lembranças do tempo da escola que mais soam como acordes da mais querida das composições aos ouvidos de quem com ela colaborou ou nela estudou. 

Antes x Depois do endereço final do colégio. Fotos: Arquivo Instituto Carlos Alberto Werneck – Alexandre Carius

A melodia está intacta como se nem nunca tivesse parado de ser tocada e faz jus ao verso que diz “Jamais esquecerei o meu colégio onde vivi e aprendi a ser alguém”. Até porque é assim que a ex-aluna e psicóloga Claudia Vecchi Pfeiffer do Canto e Mello, de 57 anos, o descreve: Werneck, o colégio de sua vida.

Local em que viveu grande parte de suas primeiras vezes, foi na instituição que Claudia conheceu os primeiros amigos, a primeira professora, as primeiras festas, o primeiro namorado e a primeira nota vermelha. Mais ainda, foi lá, onde estudou da alfabetização ao vestibular, que descobriu o verdadeiro significado de felicidade.

Foto: Arquivo pessoal Claudia Canto e Mello

“Fui muito feliz. Entrei em 1969 e fui aluna da tia Nelly, a professora mais querida do mundo! A escola era muito grande, então me lembro que na hora do recreio era uma loucura a disputa pelas mesas de ping-pong. Também eram disputadas as idas à cantina do Célio, que era enorme! E o esporte também era muito forte. Eu era atacante ”.

Onde todo e qualquer aspecto que diz respeito ao colégio se manifesta de grandes formas nos ex-alunos e colaboradores, além da estrutura propriamente dita, foram extraordinários os efeitos provocados por ela e por sua missão de transformar. Claudia relembra as famosas excursões promovidas pela escola anualmente.

“Conheci a produção da Kibon pelo Werneck. Todo ano tinha excursão. Você tinha que ter nota boa para ir e essa ficou marcada porque a gente se entupiu de sorvete. Agora imagina depois naquelas curvas da Serra? Foi uma loucura. Todo mundo passando mal”, recorda entre gargalhadas.

Ainda que imponente na construção, o colégio se mantinha capaz de acolher num ambiente extremamente familiar. Conta Mariana Mascheroni, de 32 anos, sobrinha da ex-diretora da instituição, Angela Werneck, que não era à toa que se tinha essa impressão: o empreendimento era familiar e fazia questão de se manter assim.

Foto: Arquivo Instituto Carlos Alberto Werneck

Fundado em 1936 pelo professor Carlos Alberto Werneck, o colégio teve início, na verdade, numa modesta sala onde é hoje o Edifício Arabella com seis carteiras usadas, um quadro negro, uma mesa, uma cadeira e dois mapas. Inicialmente pensado como curso preparatório para concursos, a instituição cresceu em espaço e alunos.

Com o tempo, o empreendimento passou a funcionar em dois endereços – na Rua Paulo Barbosa e no local onde hoje opera a Galeria Santo Antônio – e a oferecer os cursos de Admissão, Comercial Básico, Ginasial, Técnico em Contabilidade, Clássico, Científico e Datilografia em regime de internato, semi-internato masculino e externato misto. 

Foi só em 1955 que o terreno na Marechal Deodoro, 191, foi adquirido e, em 1972, realizada a inauguração do prédio. Aluna da última turma do Werneck, em 2006, Mariana fala sobre o legado e os valores deixados pela instituição em que seus pais tiveram o prazer de trabalhar e ela de estudar a vida inteira.

“Foram 70 anos de existência. Meu pai era inspetor e minha mãe foi secretária do doutor Werneck. Com o falecimento dele, minha tia assumiu a direção. Me formei em pedagogia e tenho certeza de que foi por influência da família. Já estive em várias escolas por conta da profissão, mas nunca encontrei uma como o Werneck. A gente via a escola como casa”.

Foto: Arquivo Instituto Carlos Alberto Werneck

Morada de aprendizado, disciplina e respeito

Ambiente que, aos poucos, se tornou conhecido pelos rostos cativos da casa, o Werneck é lembrado por gerações recentes por ícones da equipe de apoio, como o Célio da cantina, o Bené da portaria e o Tião da limpeza. No quesito professores, o mesmo acontece. Luiz Alberto Grossi, de 71 anos, por exemplo, lecionou Biologia por 33 anos no local.

Tendo se aposentado lá, Grossi, que continua a lecionar na cidade, recorda colegas do grupo excepcional de trabalho com que teve o prazer de colaborar – alguns deles Otávio Goulart Rosa, Luis Carlos Malheiros e Mussel. Ele fala também sobre o reconhecimento de ex-alunos que, segundo o professor, é o que mais lhe dá orgulho e satisfação.

“Lembro até hoje do professor Werneck me apresentando no anfiteatro ao grupo docente da escola. Eu estava começando no magistério, muito sem graça sendo apresentado aos meus ex-professores. Isso me marcou muito e logo em seguida ele faleceu. É muito gratificante saber que os ex-alunos reconhecem o trabalho da gente”.

Nas imagens, o professor Werneck e sua esposa, a também diretora Angela Werneck. Fotos: Arquivo Instituto Carlos Alberto Werneck

Numa realidade em que Grossi já teve gerente de banco, dentista e até cirurgião ex-aluno, coube ao Werneck ampliar as visões de mundo dos estudantes e encorajá-los a crescer. É o que conta a ex-aluna do programa de Educação para Jovens Adultos do colégio, a administradora pública Gabriela Barbosa Lima Weber Vaz, de 46 anos.

Representante da primeira turma do projeto, em 1999, Gabriela, que teve que interromper os estudos na adolescência, enfatiza o estímulo dado aos alunos e a diferença no tratamento oferecido. “Você sentia que tinha importância. Você precisava falar com o professor e ele te ouvia, te estimulava. A Angela te atendia na sala dela”.

Local em que cuidado e carinho se tornaram palavras-chave, é também através delas que são mantidas vivas as lições e lembranças daquele tempo. Para Sumara Gannam Brito, de 66 anos, ex-aluna e também ex-Secretária Municipal de Educação, a escola era, como bem dizia o hino, lar: morada de aprendizado, disciplina e respeito.

“Quando a gente passa a trabalhar como profissional de educação – fui funcionária da Secretaria de Educação por 40 anos – além de valorizar a educação que teve, a gente vê o quanto mudou. Era bom por causa dos pequenos detalhes. Por causa do amor depositado, do respeito, da amizade”.

Chegando a trabalhar junto de ex-professores do Werneck, tal qual Gil Mendes e, às vezes, chefia-los, como foi o caso da alfabetizadora Nelly, foi na Educação que Sumara que escreveu algumas de suas mais doces lembranças. Histórias que hoje relembra virtualmente, através da página “Ex-alunos Werneck”, no Facebook, e também fora dela.

Uma das administradoras do perfil, que conta com mais de 1,1 mil membros, Sumara também é responsável por promover os encontros anuais dos colegas. “Vem gente de Minas, Aracaju, do Acre, Roraima, Brasília, São Paulo, Curitiba. Acaba sendo uma grande confraternização. Você sente o carinho das pessoas pelo colégio e pelos outros”.

As tradicionais fotos do encontro de ex-alunos do Werneck, em 2012 e 2019, respectivamente. Imagens: Arquivo pessoal Sumara Gannam Brito

Capazes de reunir ex-alunos das décadas de 50, 60, 70 e 80, as reuniões colocam em sintonia aqueles que, independente da época ou do corpo docente que conheceram, foram e são capazes de harmonizar e celebrar o Instituto Instituto Carlos Alberto Werneck: onde cuidado e carinho ensinaram a “ser”.

(Reportagem produzida para a revista de aniversário da cidade emitida pelo jornal Tribuna de Petrópolis em 16/03/2021)

Carolina Freitas

Jornalista e escritora, Carolina Freitas se dedica ao resgate e à valorização da memória petropolitana a partir da produção de reportagens e curtas-metragens sobre a história, o comércio, e a vida da cidade.

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