Busca por CDs e vinis aumenta na pandemia e petropolitano abre novas lojas da Renaissance Discos

Foi na música que Claudio Fonzi viveu alguns dos capítulos mais emocionantes de sua trajetória, e foi também graças a ela que sua pandemia obteve novos significados

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Como um acorde que traz de volta um capítulo da vida de quem o escuta, a pandemia se mostrou, ao menos para quem trabalha na venda de CDs e LPs, um passe de volta a uma época próspera nos negócios. Com o isolamento social, cresceu a busca pela música enquanto refúgio e as oportunidades de quem, a exemplo do petropolitano Claudio Luiz Ribeiro de Oliveira acaba de inaugurar sua segunda loja física na Tijuca, no Rio de Janeiro. Tendo feito história em Petrópolis com a Renaissance Discos, Claudio Fonzi, como é mais conhecido, tem visto a chama pelo ramo reacender e sua felicidade também.

Foi na música que Claudio viveu alguns dos capítulos mais emocionantes de sua trajetória, e foi também graças a ela que sua pandemia obteve novos significados. Conhecido em Petrópolis e fora dela pela maneira acolhedora como sempre conduziu as vendas, Fonzi deu início ao comércio de discos em casa e, em meados dos anos 90, abriu sua primeira loja física na Cidade Imperial: a Renaissance Discos. A partir dela, foram abertas duas filiais: uma no Rio de Janeiro e a outra em São Paulo. E é na Tijuca, no Rio, que a história da Renaissance tem ganhado novos capítulos.

Nas imagens, as duas lojas abertas por Fonzi na Tijuca. Fotos: Divulgação

Convicto de que o destino conspira para que ele nunca mais deixe de ter uma loja física, em menos de um ano Claudio viu a loja que mantinha desde 2009 na Tijuca fechar, a venda remota aumentar e a Renaissance reabrir em dois novos endereços na mesma galeria onde, em 1997, ele havia aberto a primeira filial do Rio. “Realmente foi uma transformação pela qual eu não esperava. Tem sido tudo muito rápido e impressionante. Nem eu consigo acreditar. Estou muitíssimo satisfeito”.

Surpreendido com novas possibilidades, ele, que já operava com a venda de discos para todo o Brasil pela internet antes da pandemia começar, explica que o isolamento social está intimamente relacionado ao aumento da busca pelos CDs e vinis nos últimos meses. De acordo com o petropolitano, se, por um lado, o público se viu diante de hobbies antigos estando em casa, muitos colecionadores tiveram que abrir mão de seus acervos para gerarem renda extra e vendedores, como ele, estiveram diante de oportunidades de aumentarem seus estoques e clientes.

“A pandemia está horrível para quase todo mundo, menos para quem vende discos. Tenho revisto clientes antigos que tinham deixado de comprar e agora voltaram. Pessoas que eu não via há 10 anos. Mesmo com a crise, entra um monte de gente na loja todo dia. Está tendo um movimento muito legal e isso anima a procurar e comprar mais. Tem sido no mínimo o dobro do que eu vendia. Nesses últimos seis meses eu posso ter vendido mais que nos últimos seis anos”, diz.

Sediadas nas salas 202 e 210 da Galeria Vitrine da Tijuca, as novas lojas da Renaissance, como o nome bem indica, foram, praticamente, fruto de um renascimento proporcionado pela pandemia. Claudio conta que havia feito uma entrega de CD nas redondezas quando, em outubro, decidiu revisitar a referida galeria onde o empreendimento chegou a funcionar no final da década de 90 e começo dos anos 2000. Lá, descobriu que havia uma sala disponível para aluguel e o restante é história. Composta por outras lojas de música, a galeria tem sido fonte de refúgio.

A Renaissance Discos do número 210 da Galeria Vitrine da Tijuca. Fotos: Divulgação

“Abri a primeira loja em outubro e, meses depois, o proprietário da loja em que eu estava quando vi o anúncio da que eu aluguei também decidiu passar o ponto. Quem vai em uma loja vai nas outras, então peguei um público novo. A vida está muito triste para a grande maioria e muitos dos meus clientes dizem: aqui é a hora em que a gente esquece dos problemas. Tem sido uma distração muito legal. Eu venho todos os dias para a loja, coloco música, DVD, fico arrumando, admirando, e fico triste quando chega nove horas e tenho que ir embora”.

Prazerosos, os desdobramentos da Renaissance têm proporcionado à Fonzi gratificantes trocas com o público, que se encanta com os mais de 5,5 mil CDs e 4,5 mil LPs que tem no catálogo e, principalmente, com o carinho que tem pelo que faz. Com ainda mais “gás” do que quando fundou a Renaissance, o petropolitano explica que toda a situação tem sido “uma coisa muito rara”. Onde cada dia traz consigo novos prazeres, antigas amizades e novas coleções em suas mãos, a Renaissance voltou a ser sinônimo de possibilidades.

A Renaissance Discos do número 202 da Galeria Vitrine da Tijuca. Fotos: Divulgação

Chegando, em junho passado, a levar toda a mobília e o estoque da loja física que teve que fechar para seu apartamento, ele conta que nem os banheiros de casa estavam livres dos móveis e itens que se recusou a se desfazer. Sem nunca ter desistido do empreendimento, Claudio, pela primeira vez em muito tempo, se vê sem bagagens e livre para o que o futuro tem a oferecer a ele e a Renaissance Discos.

O catálogo da Renaissance, que envia CDs, DVDs, Blu-rays e LPs para todo o Brasil, pode ser consultado pelo WhatsApp (21) 99776-6973, e-mail renaissance.claudio@gmail.com, Facebook (Claudio Fonzi) ou então pelo site renaissancediscos.com. A quem tiver interesse em conhecer as lojas físicas, elas ficam na Rua Conde de Bonfim, 346, nas lojas 202 e 210 da Galeria Vitrine da Tijuca, na Praça Saens Peña, na Tijuca. O local funciona de segunda a sexta, das 11 às 19 horas, e aos sábados, das 10 às 17 horas.

Leia também: Renaissance Discos: retrato de quem se deixou reinventar pela música

Carolina Freitas

Jornalista e escritora, Carolina Freitas se dedica ao resgate e à valorização da memória petropolitana a partir da produção de reportagens e curtas-metragens sobre a história, o comércio, e a vida da cidade.

4 Comments

  1. Muito boa reportagem ! Vida longa ao Claudio e as Renaissances ! Que venham outras ! Muito sucesso , meu amigo !

  2. Que bacana ! conheço Fonzi desde da época do Tribuna Progressiva, depois como cliente da loja de Petrópolis, sai varias vezes do Rio pra ir na lona da serra, nessa época produzi com Joel Lana o Lona Progressiva na Lona Cultural Hermeto Pascoal em Bangú com as bandas Tempus Fugit e Anima, com uma lojinha da Renaissance improvisada e o Fonzi vendendo discos, o evento foi anunciado pela rádio e programa, telão com videos raros, o evento foi um sucesso. Acho que isso aconteceu em 1997 Salve Fonzi Abs Mharcus

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